Manifestantes presos com capitão do Exército infiltrado em ato contra Temer viram réus na Justiça
Do Uol:
A Justiça de São Paulo aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou réus 18 manifestantes presos em 4 de setembro do ano passado pouco antes de movimentos e coletivos de esquerda promoverem uma passeata contra o presidente Michel Temer (PMDB). À época, o grupo foi detido no Centro Cultural São Paulo, na zona sul da capital paulista, juntamente com um capitão infiltrado do Exército, Wilson Pina Botelho, que se apresentava aos jovens, em aplicativos de paquera, como “Baltazar Nunes”.
A decisão é da juíza da 3ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, Cecília Pinheiro da Fonseca, a qual agendou para o dia 22 do mês que vem, às 14h30, a audiência de instrução dos acusados. A Promotoria acusou o grupo de manifestantes de associação criminosa e corrupção de menores.
A magistrada decretou segredo de Justiça sobre o caso.
No dia da prisão, os 18 manifestantes –entre os quais, quatro menores — foram detidos no CCSP, onde haviam se reunido para integrar o ato organizado pela frente Povo Sem Medo, na avenida Paulista. O protesto marcava o repúdio ao impeachment de Dilma Rousseff (PT), selado pelo Senado em 31 de agosto, e pedia a saída de Temer do poder.
Para o Ministério Público, os jovens teriam se reunido para promover atos de depredação ao patrimônio público e privado, e, para tal, supostamente se valeriam de objetos como máscaras, skate, capuzes, vinagre e roupas escuras, descritos pela Polícia Militar, à época, como fruto de apreensão.
Já o capitão do Exército teve a conduta investigada em um inquérito que acabou arquivado, no fim do ano passado, pela Justiça Militar. Meses depois, ele foi promovido a major.
O advogado dos manifestantes, Hugo Albuquerque, confirmou o teor do despacho – o qual o Tribunal de Justiça não quis confirmar, alegando o segredo – e afirmou que se trata “de um absurdo”.
“De um modo geral, essa é uma decisão que é preocupante para o país –as pessoas foram presas à época mesmo não tendo feito nada. São todos inocentes, ninguém fez nada –nem agrediu PM, nem planejou isso, muito menos destruiu ou planejou destruir patrimônio público ou privado”, afirmou o advogado. “Eles sequer foram à manifestação”, completou.
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