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Vilã ou aliada? O que mudou na margarina e por que ela voltou ao debate

Margarina em pote ao lado de fatias de pão
Imagem ilustrativa. Foto: Reprodução

As recomendações nutricionais para a saúde cardiovascular passaram a dar mais peso à qualidade das gorduras consumidas, não apenas à quantidade. A orientação atual favorece a troca de gorduras saturadas por gorduras insaturadas, presentes em óleos vegetais e em formulações modernas de margarinas. A nutricionista Adriana Stavro afirma que a principal diferença entre manteiga e margarina está nesse perfil: a manteiga concentra mais gorduras saturadas, associadas ao aumento do LDL, enquanto versões atuais de margarinas usam óleos vegetais ricos em gorduras insaturadas.

Pesquisas citadas pela área de nutrição sustentam essa mudança. Um estudo de pesquisadores de Harvard, publicado no Journal of the American College of Cardiology, acompanhou cerca de 120 mil pessoas por até 30 anos e associou a substituição de 5% das calorias vindas de gorduras saturadas por poli-insaturadas a uma redução de até 25% no risco de doença coronária. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia também recomenda priorizar gorduras mono e poli-insaturadas no lugar das saturadas sempre que possível.

Outro ponto em estudo é o papel dos fitoesteróis no controle do colesterol. Esses compostos vegetais competem com o colesterol durante a absorção intestinal e podem reduzir o LDL no sangue. Pesquisa no European Journal of Clinical Nutrition, com 95 participantes, apontou queda de 8% no colesterol total e de 13% no LDL com consumo diário de creme vegetal enriquecido com fitoesteróis, sem alteração do HDL. A Becel afirma que sua linha ProActiv usa esse tipo de formulação e que o consumo deve ocorrer junto com alimentação equilibrada e hábitos saudáveis.