Maquiagem na segurança de SP: Sindicato dos investigadores acusa delegado de assédio moral

O presidente do Sindicato dos Investigadores Policiais do Estado de São Paulo, João Batista Rebouças da Silva Neto, se reúne hoje com o departamento jurídico da entidade para decidir que medidas a entidade tomará contra o governo do Estado, em razão da pressão para que as equipes produzam flagrantes.
“Isso é assédio moral”, diz Rebouças ao DCM.
“Querem que os policiais fabriquem flagrantes e o delegado do 4o. DP (Júlio César dos Santos Geraldo) ameaça cortar o fim de semana dos policiais. É um absurdo”, acrescentou.
Segundo ele, a pressão é por causa do ano eleitoral. “O governador está entregando viatura que estava no pátio, só para os jornais e as TVs publicarem. É enganação e querem usar os investigadores nesse jogo eleitoral”, afirmou, lembrando que não é filiado a nenhum partido ou central sindical.
“Os homicídios caíram porque manipulam os números. Transformam homicídio em encontro de cadáveres ou de morte a esclarecer”, afirma.
Há outra razão, que ele não menciona: o PCC proíbe mortes na periferia sem que haja autorização da facção criminosa.
“A verdade é que o crime está cada vez mais organizado, e a Polícia foi sucateada. Há seis anos, nós tínhamos 32 mil policiais civis no Estado. Hoje, somos 21 mil. Temos investigadores em desvio de função, trabalhando como escrivães, muitos foram para a iniciativa privada. A população está sendo enganada: a segurança pública faliu no Estado e agora querem que os investigadores forjem flagrante. Essa gravação revela assédio moral por parte de um delegado que sabe que, se não produzir números, perde o cargo. “Não é assim que se faz segurança pública”, destacou.
