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Marcello Miller busca criminalista para sua defesa no escândalo da JBS

Da coluna de Monica Bergamo:

O ex-procurador Marcello Miller está buscando advogados criminalistas que assumam a sua defesa no escândalo da delação da JBS.

A expectativa nos meios jurídicos é grande em relação ao caminho que Miller tomará. Investigado e sujeito a operações de busca e apreensão ou mesmo à prisão, ele poderia apontar o dedo de volta para a PGR (Procuradoria-Geral da República).

Ex-braço direito de Rodrigo Janot, o ex-procurador pode dizer, por exemplo, que fez tudo com o conhecimento dos ex-companheiros da Operação Lava Jato, hoje coordenada por Sérgio Bruno. A PGR diz que ninguém no órgão tinha conhecimento de que ele estaria ajudando a J&F na delação. Janot disse considerar os indícios sobre Miller “gravíssimos”.

Como Miller já estava fora do órgão e trabalhando para escritório de advocacia contratado pela J&F, ele poderia argumentar que houve um conflito de interesses mas não crime em sua conduta. Isso só ocorreria se ficar comprovado que ele foi cooptado pela empresa, quando ainda era procurador, para ajudá-la na delação.

Advogados observam que, para os padrões da Lava Jato, a PGR foi cuidadosa com Miller. Dizem que por muito menos do que foi constatado nos grampos da J&F em relação a ele, o banqueiro André Esteves teve a casa invadida pela Polícia Federal e foi levado preso para Bangu 8, no Rio. Ele tinha sido citado em uma conversa de Delcídio do Amaral com Nestor Cerveró.