Marcelo Coelho: FHC é um “um imenso falastrão” ao defender Huck
Da coluna do jornalista Marcelo Coelho na Folha.
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“Eu mesmo tenho um pé na cozinha”, brincou FHC ao tratar do racismo brasileiro. Era uma frase simpática, mas ao mesmo tempo escandalosa: ao usar expressão obviamente racista, ele sem dúvida tirava da cozinha o pé que dizia estar ali.
Resumindo, uma permanente sensação de estar “à vontade” disfarça em Fernando Henrique a sua profunda arrogância. Aquele famoso “sabe com quem está falando?” ganha uma versão particular nos modos do ex-presidente.
Em teoria, quem diz isso se coloca acima dos demais. No caso FHC, o autoritarismo é inclusivo: “Eu e você sabemos perfeitamente quem sou eu que está falando”. Por sermos da mesma patota, você sabe, sou eu que mando. Pode ficar quieto, já sabemos aonde você quer chegar. Só que eu cheguei antes. Já estou eleito, fique à vontade no meu gabinete de prefeito.
Como ex-presidente, FHC poderia se colocar num plano bem elevado, o de sábio estadista.
Suas considerações sobre a oportunidade de uma candidatura Luciano Huck confirmam, infelizmente, a característica que ele sempre teve: a de ser um imenso falastrão, cuja única inocência é a de achar sinceramente que é um sábio estadista.
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FHC poderia conferir peso a propostas de reforma política ou equilíbrio nos debates sobre a Previdência; poderia moderar os embates entre o Judiciário e os políticos.
Não. Chama os holofotes para elogiar Luciano Huck.
Provavelmente, acha que qualquer um é tão inferior a ele mesmo que, entre Huck, Serra, Alckmin, Doria, Justus ou Romário, qualquer um serve, desde que ganhe.
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