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Márcio França, vice de Alckmin, insinua que Doria pode abandonar governo como fez com prefeitura

Entrevista dada ao jornalista Joelmir Tavares da Folha de S.Paulo.

(…)

Folha – Como recebeu a afirmação de Doria de que o sr. se alinhou à extrema esquerda por buscar alianças com siglas como PC do B e PDT?

Márcio França – É uma visão atrasada, meio do passado. Isso é meio infantil. Ele acha que vai polarizar de novo entre PT e PSDB, como se eu fosse PT, né? O Doria é um sujeito inteligente, que percebe que essa será a polarização, e vai tentar uma repetição do que fez com o [petista Fernando] Haddad. O momento é de conciliação. Essa é a minha cara, convivo do PT ao PSDB.

O problema do Doria é a falta de palavra, e essa é uma coisa grave na política. A palavra é o nosso único instrumento de conversa. E ele deu a palavra para os paulistanos de que cumpriria quatro anos de mandato. A mim passa a sensação: será que ele está falando a verdade ou ele vai faltar com a palavra de novo?

Mas esse discurso pode encontrar apoiadores neste momento de polarização.

Eu não sei, difícil falar.

A ligação com a esquerda não seria baseada na relação histórica de seu partido, o PSB, com o PT no plano nacional?

Não sei a estratégia dele [Doria]. Tudo que ele falar, eu vou sempre repetir: a ideia pode ser boa, mas ele não tem palavra. Como vou acreditar?

Nunca apoiei o PT em São Paulo. Ah, acho que apoiei uma vez uma candidatura. Não tenho nada contra o PT como instituição nem contra o PSDB. Tenho amigos em ambos.

O sr. então rejeita o rótulo de extrema esquerda?

Claro. Sou de centro-esquerda. O debate verdadeiro é a sinceridade e a lealdade contra a mentira e a deslealdade.

O sr., que apoiou a campanha de Doria, se sente traído?

Claro, claro. Me sinto traído quando me coloco no lugar do eleitor paulistano.

(…)

Como o sr. vai enfrentar nas urnas a força de Doria e do PSDB, partido que governa o estado há mais de 20 anos?

A humildade contra esse estilo. Nós [eu e Doria] somos antagônicos. O meu estilo não tem nada a ver com o dele.

Tenho origem na atividade política, venho do movimento estudantil. Ele é um empresário cedido para a política e estaria indo muito bem se cumprisse o que combinou com o povo de São Paulo.

Humildade basta para vencer?

É importante. A maioria da população não vive desse tipo de comportamento. O brasileiro, de maneira geral, é de cumprir palavra.

Acredita que Doria descarta a chance de se colocar como nome do PSDB à Presidência?

Para quem não tem palavra, daí para a frente todo o resto está comprometido.

(…)

Assinatura do Programa Empreenda Fácil.Estavam presentes: o Vice-Governador do Estado de São Paulo,Márcio França; o Prefeito de São Paulo,João Dória; o Presidente do Sebrae Nacional,Guilherme Afif Domingos e o Diretor Superintendente do Sebrae São Paulo,Bruno Caetano.Data:06/03/2017.Local:São Paulo/SP.Foto: Cris Castello Branco/Sebrae-SP