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Marin, poderoso cartola do futebol, enfrenta rotina dura e só pode usar uniforme da prisão

Reportagem Jamil Chade do Estadão.

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Steve é um dos tantos familiares que aguardam o dia de visita no Centro de Detenção Metropolitana do Brooklyn. Na espera, todos eram imigrantes de descendência latina, asiática ou negra, um espelho da disparidade social que existe nos EUA.

Sob a mesma condição estão os parentes de José Maria Marin, ex-presidente da CBF e responsável pela Copa de 2014, além de ex-governador de São Paulo (1982/83). No pequeno espaço reservado aos visitantes que aguardam, celulares com salsa ou cumbia dão a trilha sonora de um local que mistura crianças, mulheres de maquiagem caprichada, mães, muçulmanos com longas barbas e homens com correntes douradas penduradas no pescoço. A espera da visita no presídio é árdua.

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O presídio à beira da Upper Bay ficou conhecido entre parentes dos presos como a “Abu Ghraib do Brooklyn”, uma referência aos locais de tortura do exército americano no Iraque. Há cerca de dez anos, investigações revelaram o abuso de policiais contra presos.

No ano passado, três prisioneiras denunciaram abusos sexuais por parte dos policiais da prisão. Em janeiro, um deles foi condenado por cometer quatro estupros dentro do local que hoje conta com 1,8 mil prisioneiros – 3% de mulheres. Em 2016, uma juíza federal afirmou que não enviaria mais detentas para a prisão onde está Marin. Seu argumento: o local parece ser de “um país de terceiro mundo”. “Aqui é um armazém de pessoas”, disse ao Estado uma senhora da Guatemala, que aguardava para ver o marido preso.

A vista a partir das celas é limitada. No Centro de Detenção Metropolitana do Brooklyn, as janelas são pequenas frestas, sempre embaçadas. A posição de algumas celas permite ver a Estátua da Liberdade. Na rua, cartazes foram colocados com mensagens de amor para aqueles que cumprem pena.

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Com o número de registro #86356053, ele pode usar apenas as roupas da prisão e, se quiser comprar outros itens em uma pequena loja, tem a chance de ter acesso a malhas brancas ou cinzas.

Sem um pátio ao ar livre, Marin toma sol no teto da prisão. Ele e os demais presos. As ligações telefônicas são reguladas e a internet, proibida. No início de abril, Marin saberá sua pena. Seus advogados informam que não comentarão sua situação até o encerramento do processo.