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Caso Marjane Satrapi: médicos explicam se é possível ‘morrer de tristeza’

Marjane Satrapi
A escritora e diretora franco-iraniana Marjane Satrapi. Foto: Reprodução.

A morte da escritora e diretora franco-iraniana Marjane Satrapi, autora de “Persépolis”, levantou a discussão sobre a possibilidade de alguém “morrer de tristeza”. Uma pessoa próxima à família informou à agência France Presse que Marjane “morreu de tristeza pouco mais de um ano depois da morte de Mattias Ripa, seu marido e amor da sua vida”.

Segundo o médico Victor Cravo, coordenador de UTIs dos hospitais Samaritano e Vitória, no Rio de Janeiro, a medicina reconhece uma condição conhecida como síndrome do coração partido, ou cardiomiopatia de Takotsubo. O quadro envolve um enfraquecimento súbito e temporário do músculo cardíaco, geralmente associado a estresse físico ou emocional extremo, como a perda de uma pessoa amada.

Os sintomas se parecem com os de um infarto, mas sem obstrução das artérias coronárias. Cravo afirma que a morte por esse tipo de cardiomiopatia é difícil, embora possa ocorrer em casos graves: a taxa de mortalidade hospitalar varia de 1% a 4%. Em situações de estresse extremo, o músculo cardíaco pode sofrer uma paralisação severa e provocar complicações fatais nas primeiras horas.

Estudos citados pelo Estadão associam o luto intenso a maior risco cardiovascular. Uma pesquisa de 2012 indicou que, nos primeiros dias após a morte de uma pessoa querida, o risco de infarto pode aumentar até 21 vezes. Especialistas também apontam que tristeza extrema e depressão podem enfraquecer o sistema imunológico e levar a descuido com alimentação, sono e uso de medicamentos essenciais.