Marta critica discurso de Ruffato em Frankfurt: “Não era o local para aula de sociologia”
“Não era o local para se dar uma aula de sociologia.” Assim reagiu ontem a ministra da Cultura, Marta Suplicy, ao discurso proferido pelo escritor Luiz Ruffato na noite de terça-feira, durante a abertura da Feira do Livro. “Ele apresentou uma visão dura do País, mas senti falta do lado mágico e literário do Brasil.”
Ruffato participou da cerimônia de abertura ao lado de autoridades alemãs (como Guido Westerwelle, ministro das Relações Exteriores) e brasileiras (além de Marta, estava presente o vice-presidente da República, Michel Temer). Em sua fala, ele apresentou uma crua análise das desigualdades brasileiras, trazendo dados como índices de mortalidade infantil, assassinatos, estupros. Também delineou a desigualdade social do País. Ao final, recebeu aplauso duradouro e caloroso. Também dividiu opiniões, como a crítica feita pela diretora Daniela Thomas, que teme que o discurso acentue os clichês que marcam o entendimento do público europeu sobre o Brasil.
Marta Suplicy seguiu na mesma linha. “Ele não disse nenhuma inverdade, mas não soube destacar o outro lado, o trabalho que o governo vem fazendo para diminuir essas desigualdades.” A ministra da Cultura, por outro lado, elogiou o discurso de Michel Temer, que falou de improviso para ressaltar tanto a capacidade econômica do Brasil como para lembrar sua formação literária, culminando com o comentário sobre sua condição de escritor (publicou um livro de poesias, Anônima Identidade). “Temer completou a reflexão de Ruffato, que não capturou toda a diversidade da realidade brasileira.”
SAIBA MAIS
