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Marun admite que usa Caixa pra negociar Reforma da Previdência, mas nega chantagem

Tudo está no seu lugar, graças a Deus!

Reportagem de Daiene Cardoso e Igor Gadelha no Estado de S.Paulo mostra o que já era denunciado há alguns dias. Carlos Marun, novo ministro de Temer, utiliza Caixa Econômica Federal na negociação e já recebeu 60 congressistas pra pressionar pela Reforma da Previdência. O menino está esforçado.

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, admitiu na tarde desta terça-feira, 26, que o Palácio do Planalto está pressionando os governadores e prefeitos a trabalhar a favor da aprovação da reforma da Previdência em troca da liberação de recursos do governo federal e financiamentos de bancos públicos, como a Caixa. Marun negou que esteja promovendo “chantagem” com governadores e prefeitos e destacou que os financiamentos da Caixa “são ações de governo”.

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O peemedebista disse que o governo está pedindo apenas uma “ajuda” em troca dos votos pela reforma. “Financiamentos da Caixa Econômica Federal são ações de governo. Senão, o governador poderia tomar esse financiamento no Bradesco, não sei onde. Obviamente, se são na Caixa Econômica, no Banco do Brasil, no BNDES, são ações de governo, e nesse sentido entendemos que deve, sim, ser discutida com esses governantes alguma reciprocidade no sentido de que seja aprovada a reforma da Previdência, que é uma questão que entendemos hoje de vida ou morte para o Brasil”, justificou. 

O ministro disse que os parlamentares ligados aos governadores também terão aspectos eleitorais positivos com os financiamentos aos governos locais. “Olha, não entendo que seja uma chantagem o governo atuar no sentido de que um aspecto tão importante para o Brasil se torne realidade, que é a modernização da Previdência”, afirmou. “Não é retaliação aos governadores, é pedido de apoio”, completou.

Como revelou a Coluna do Estadão na semana passada, o novo ministro da articulação do governo Temer levantou todos os pedidos de empréstimos na Caixa por Estados, capitais e outras grandes cidades e condicionou a assinatura dos contratos à entrega de votos pelos governadores e prefeitos que exercem influência sobre os deputados.

O primeiro a ser pressionado foi o governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB). 

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Em reunião nna tarde desta terça-feira, 26, com o presidente Michel Temer, Marun disse que manifestou seu otimismo em relação a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Marun afirmou que a confiança da aprovação do texto vem de conversas com parlamentares nos últimos dias e disse ver cada dia menos pessoas dizendo que não votarão a PEC “de jeito nenhum”.

Marun revelou que marcou para a tarde desta quarta-feira (27) uma nova reunião com Temer e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para traçar a estratégia de atuação em janeiro em busca dos 308 votos a favor da reforma. Segundo ele, o relator da proposta, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), também será convidado para o encontro. 

O ministro evitou dar o número de votos que o governo contabiliza nesta terça-feira. Ele disse que a contagem de votos só será retomada por volta do dia 15 de janeiro, a mais de um mês da data da votação marcada por Maia, 19 de fevereiro. Apesar disso, Marun se mostrou confiante. 

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