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Matcha, ecobag e sensibilidade: o fenômeno do “homem performático”

A nova moda do “homem performático”. Foto: Freepik

Em universidades e nas redes sociais, jovens têm apresentado novas formas de masculinidade, marcadas por estética suave, sensibilidade e referências culturais do TikTok. Esse comportamento, apelidado de “homem performático”, ganhou força em eventos como concursos universitários que exploram poesia, looks de brechó e gestos simbólicos para rejeitar modelos associados à “masculinidade tóxica”. O movimento reflete mudanças mais amplas na forma como a Geração Z negocia gênero.

Embora esse estilo tenha ganhado popularidade, as reações costumam oscilar entre curiosidade e ceticismo. Pesquisas sobre cultura digital mostram que a Gen Z valoriza espontaneidade e autenticidade, o que torna suspeita qualquer atitude que pareça calculada demais. A filósofa Judith Butler e outros estudiosos lembram que o gênero sempre envolve performance, o que ajuda a explicar por que essas novas expressões podem parecer artificiais antes de soarem naturais.

Além disso, sociólogos alertam que essas novas estéticas nem sempre resultam em mudanças profundas nas dinâmicas de gênero. Estudos apontam que influenciadores homens no TikTok podem romper estereótipos visuais, mas ainda reforçar padrões de branquitude, corpo e desejabilidade. Essa disputa aparece nas críticas que veem esses jovens como apenas reembalando comportamentos para ganhar status ou atenção, sem alterar práticas de poder.

Ainda assim, pesquisadores destacam que experimentações imperfeitas podem abrir caminho para transformações futuras. A tendência do “homem performático” indica um momento em que jovens buscam novas identidades masculinas, mesmo sob ironias e resistências. O fenômeno revela contradições atuais: pedem-se homens mais sensíveis, mas a sensibilidade exposta provoca estranhamento. O resultado é um retrato de uma masculinidade em transição, ainda sem direção definida.