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Médica denuncia perseguição de ex-paciente há mais de 4 anos: “Perdi a esperança na Justiça”

A médica psiquiatra Laura Campos – Foto: Reprodução

A médica psiquiatra Laura Campos, de 34 anos, relata ser perseguida há mais de quatro anos por um ex-paciente em Brasília. Segundo ela, o homem teve apenas duas consultas em 2019 e, dois anos depois, começou a segui-la nas redes sociais, enviando mensagens perturbadoras. “No começo, ele apenas reagia aos stories, mas depois começou a mandar mensagens estranhas, como ‘não precisa ter medo de mim’, e aí eu bloqueei o perfil dele”, contou. Após isso, o homem passou a aparecer pessoalmente na clínica onde ela trabalhava, mesmo após ter sido impedido pela segurança.

Laura afirmou que chegou a obter medidas protetivas, mas o homem, classificado como inimputável por transtornos psíquicos, nunca foi responsabilizado. “Eu contratei um advogado e entrei com um processo contra ele. Mas depois de ser avaliado por um psiquiatra forense, ele foi considerado inimputável”, disse. O perseguidor já foi internado duas vezes por ordem judicial, mas sempre retorna após as altas. Por medo, a médica precisou mudar de local de trabalho e passou a realizar atendimentos online.

A psiquiatra lamentou a falta de amparo da Justiça, mesmo após o crime de perseguição ser tipificado pela “Lei do stalking” em 2021. “Eu perdi as esperanças na Justiça. Gastei muito dinheiro com advogado, mas depois de ver que não adiantava nada, pois ele sempre volta a me procurar, eu acredito que não há mais nada que possa ser feito”, afirmou. Ela segue monitorando os e-mails do homem para tentar se proteger, já que, segundo relata, o sistema judicial não tem conseguido impedir as constantes abordagens.