Médicos abandonam termo “cólica” e mudam orientação sobre choro de bebês

O Consenso de Roma V, publicado em 2026, deixou de usar oficialmente a expressão “cólica do lactente” para definir o choro intenso sem causa aparente em bebês. O quadro passa a ser chamado de Síndrome do Desconforto do Lactente, uma classificação que desloca a explicação de uma suposta dor intestinal para o processo de desenvolvimento e regulação do organismo infantil.
A pediatra Daniela Anderson explicou que a nova classificação trata o quadro como uma desordem do eixo intestino-cérebro e não como doença. Para a pediatra Ana Maria Melo, nunca houve evidência de que a chamada cólica representasse dor originada no cólon. Sinais como gases, pernas encolhidas e rosto avermelhado podem surgir durante o choro, mas não necessariamente indicam que o intestino seja a causa.
O consenso também afasta a antiga “regra dos três”, que relacionava o diagnóstico a três horas de choro por dia, três dias por semana e três semanas. Pediatras devem considerar o estado geral da criança e sinais de alerta, como febre, vômitos persistentes, sangue nas fezes, dificuldade para respirar, recusa alimentar e ganho de peso inadequado.
Sem esses sintomas, as orientações incluem reduzir estímulos, oferecer colo e contato pele a pele e buscar apoio para os responsáveis; se o adulto estiver no limite, deve colocar o bebê de barriga para cima no berço e se afastar por alguns minutos.
