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Mais denúncias ou mais violência? Pedidos de proteção a mulheres crescem 303% no Amapá

Atendimento relacionado a medidas protetivas para mulheres
Imagem ilustrativa. Foto: Reprodução

O Amapá registrou 492 pedidos de medidas protetivas para mulheres vítimas de violência entre janeiro e maio de 2026. O número representa alta de 303% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a Defensoria Pública do Estado contabilizou 112 solicitações, segundo levantamento feito pela DPE-AP a pedido do g1.

A demanda também ganhou peso nos atendimentos da Defensoria. Em 2025, os pedidos de medidas protetivas respondiam por 8,7% dos casos atendidos pela instituição. Neste ano, o índice chegou a 30,2% e passou a liderar as demandas jurídicas do órgão. A Lei Maria da Penha prevê essas medidas para proteger mulheres em situação de violência doméstica e familiar, e a vítima pode solicitá-las em delegacias especializadas ou diretamente ao juiz.

A defensora pública Camila Araújo, do Núcleo de Defesa e Promoção aos Direitos da Mulher da DPE-AP, relaciona o aumento à maior conscientização das vítimas e ao fortalecimento das instituições de proteção. “Esses dados não são nada favoráveis às mulheres e demonstram o aumento da violência em suas diversas formas. Apesar disso, também revelam a redução da subnotificação, pois mais mulheres estão buscando os órgãos responsáveis para garantir proteção institucional”, afirma.

O levantamento aponta que muitas vítimas vivem em vulnerabilidade socioeconômica, com renda entre 1 e 2 salários mínimos, moradia precária ou instável, sobrecarga com filhos e dependência de programas sociais. A DPE-AP também cita dependência financeira, medo do agressor, falta de apoio familiar, dificuldade de transporte e desconhecimento da rede de proteção como obstáculos ao acesso à Justiça.