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“Melhor ir do que morrer”: polícia reforça segurança após ameaças contra imigrantes na África do Sul

Manifestantes com bastões e escudos tradicionais zulus durante ato na África do Sul
Manifestantes com bastões e escudos tradicionais zulus durante ato na África do Sul. Foto: Reprodução/AFP

A polícia da África do Sul mobilizou um grande efetivo nesta terça-feira (30) para tentar evitar distúrbios no fim do prazo imposto por grupos de cidadãos para que migrantes deixem o país. A campanha, marcada por traços xenófobos, já levou cerca de 25 mil pessoas a fugir.

Os grupos anunciaram manifestações e costumam portar bastões e escudos tradicionais zulus. Em Durban, manifestantes vestidos com trajes zulus e armados com paus e escudos se reuniram em um parque cantando “abahambe”, expressão que significa “Deixem-nos ir”.

Segundo estatísticas oficiais, cerca de 3 milhões de estrangeiros vivem no país, o equivalente a 5,1% da população. Em Durban, Cidade do Cabo e Joanesburgo, alguns migrantes buscaram abrigo em acampamentos improvisados para deslocados ou diante de consulados. Ao menos dois moçambicanos, um etíope e um malauiano morreram em episódios de violência anti-imigrante nas últimas semanas, e governos africanos organizaram repatriações.

O malauiano Peter Madsoan, de 45 anos, disse na segunda-feira, enquanto esperava por um ônibus em Durban, que decidiu sair para evitar ataques. “Sou o sustento da minha família no Malaui”, afirmou o pedreiro. “É melhor ir embora do que morrer na África do Sul.” Na semana passada, Jacinta Ngobese-Zuma, líder do grupo antimigração March and March, advertiu que lançaria “uma marcha nacional” em 30 de junho até que todos os estrangeiros em situação irregular fossem deportados, mas acrescentou: “Não convocamos a violência”.