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Memento mori: por que famílias fotografavam parentes mortos no século 19

Retrato pós-morte do século 19
Retrato pós-morte produzido no século 19. Foto: Reprodução

No século 19, famílias do Reino Unido e de outros países passaram a fotografar parentes mortos como forma de manter uma lembrança deles. A prática ganhou força após a popularização do daguerreótipo, apresentado pelo francês Louis Daguerre em 1839, e se tornou mais acessível a partir da década de 1850.

Antes da fotografia, retratos de pessoas falecidas dependiam de artistas e ficavam restritos a famílias ricas. Com custos menores, os registros pós-morte alcançaram também os mais pobres, em um período marcado por alta mortalidade infantil e expectativa de vida de cerca de 40 anos na Europa. As imagens eram chamadas de memento mori, expressão em latim que significa “lembre-se de que você morrerá”.

As famílias costumavam preparar os corpos com roupas e penteados, enquanto fotógrafos montavam cenas com flores, relógios ou ampulhetas. Muitas fotos eram feitas nas casas, com o falecido em camas ou caixões e, às vezes, ao lado de parentes vivos. O hábito perdeu espaço no início do século 20, com a queda da mortalidade infantil, regras sanitárias mais rígidas e a expansão das câmeras domésticas, que multiplicaram os retratos feitos em vida.