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Como a palavra “abelha” ajudou menino autista a descobrir cegueira

Benício de Jesus Branco Lara e sua mãe. Foto: Divulgação

Benício de Jesus Branco Lara, de 7 anos, repetiu a palavra “abelha” por mais de um ano sem conseguir explicar o que sentia. Autista e com comunicação baseada principalmente em palavras soltas, ele passou a tropeçar, esbarrar em móveis e abandonar brincadeiras que costumava fazer em dezembro de 2025, quando começou a perder a visão.

Exames mais específicos apontaram alterações nos nervos ópticos, e uma tomografia identificou espessamento anormal dos ossos do crânio. Segundo o neurocirurgião pediátrico Alexandre Casagrande Canheu, o crescimento ósseo estreitou os canais por onde passam os nervos ópticos e provocou a compressão que comprometeu a visão. Benício quase não enxergava pelo olho esquerdo e tinha pouca visão no direito quando chegou ao especialista.

Ele passou por cirurgias de descompressão dos nervos ópticos em 17 de agosto e 5 de outubro. A família notou que o menino voltou a brincar com animais de brinquedo, mas a recuperação visual ainda depende da resposta dos nervos. Os médicos investigam a hipótese de doença de Paget Juvenil, condição ultrarrara que altera a remodelação óssea; a confirmação depende de exames genéticos. A equipe também apura se “abelha” poderia indicar zumbido causado por compressão de nervos auditivos, sem confirmação conclusiva até agora.