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Mesmo após decisão judicial, vídeos falsos sobre Marielle seguem na internet

Marielle Franco. Foto: Wikimedia Commons

Do UOL:

Ao menos 12 dos 16 vídeos com fake news sobre a vereadora Marielle Franco (PSOL), que a Justiça do Rio de Janeiro determinou a retirada do YouTube, podem ser vistos nesta terça-feira (27) no exterior ou mesmo no Brasil se o usuário acessar a internet por meio de VPN (rede particular virtual, na sigla em inglês), que permite acessar vídeos bloqueados em território nacional.

Questionado pelo UOL, o Google disse apenas que os vídeos foram removidos no Brasil. “Os vídeos foram removidos localmente em cumprimento a uma ordem judicial fundamentada na legislação brasileira”, informou a empresa de tecnologia por meio de nota.

O PSOL entrou nesta terça com petição que solicita novamente a retirada dos vídeos do YouTube e a aplicação de multa diária no valor de R$ 1.000. Na última sexta-feira (23), a juíza Márcia Hollanda, da 47ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, entendeu que o conteúdo dos vídeos ferem a honra de Marielle, assassinada a tiros no último dia 14 na região central da capital fluminense.

Embora estejam bloqueados para acesso no Brasil, a reportagem do UOL constatou que eles são exibidos por meio de acesso VPN, que “mascara” os IPs (espécie de identificação numérica dos usuários de internet, que também rastreia suas localizações), mudando a geolocalização da navegação para outro país.

Na prática, usuários de internet que estão em outros países ou quem opta pelo uso de redes de navegação privada ainda conseguem acessar o conteúdo das filmagens que contêm notícias falsas sobre a vereadora carioca. A pedido do UOL, moradores de Nova York conseguiram acessar os vídeos nesta terça-feira.

Apenas quatro dos 16 vídeos listados na sentença estão fora do ar porque foram removidos por donos de canais do YouTube após a determinação judicial. Um dos que ainda se mantém no ar ganhou o título “vídeo censurado no Brasil”.

Em sua decisão, a juíza Márcia Hollanda não usa o termo fake news, mas afirma que os vídeos em questão citam fatos comprovadamente falsos, como a relação da vereadora com o Comando Vermelho.

À reportagem, a advogada Evelyn Melo –uma das três que representam a companheira de Marielle, Monica Benício, e sua irmã, Anielle Santos– confirmou que elas juntaram a petição informando a juíza a respeito dos links mantidos no ar, ainda que estes sejam visualizados apenas fora do Brasil ou em redes VPN.