“Meu pai é procurador, vai perder teu emprego”: clientes de bar humilham fiscal na Barra da Tijuca

Publicado em 8 julho, 2020 1:54 pm
Na Barra, público em bar lotado canta que ‘não vai embora’ mesmo com fiscalização Foto: Reprodução

De Marcelo Antonio Ferreira no Globo.

Quando o público de um bar na Rua Olégario Maciel, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, começou a entoar o canto “Eu não vou embora”,  na noite da último sábado, a assistente de coordenação de fiscalização da Vigilância  Sanitária Jane Loureiro, de 54 anos, contou que ficou abalada, mas procurou manter a calma e continuar a inspeção. Ela estava à frente de uma equipe de quatro profissionais, além da proteção de guardas municipais. No bar, havia cerca de 50 pessoas.

— Fui ameaçada por um que disse que o pai era procurador e que estava vendo meu nome no colete e que ia me demitir: “meu pai é procurador, você vai perder esse teu empreguinho”. Depois, fizeram um coro me xingando. Eu fiquei muito nervosa. Imagina um grupo grande de pessoas te xingando. É constrangedor, triste. Me mantive abalada, mas tranquila — descreve ela, ao relembrar. — (Ofensas) de uma classe abastada, que a gente acha que tem respeito e educação.

No bar inspecionado, a agente viu muitas irregularidades, como mesas juntas no lado externo do estabelecimento, muita gente ao redor e boa parte do público sem máscara. Em um primeiro momento, interpelou o gerente, que garantiu que iria controlar a situação. Mas, passado um tempo e com os pontos de aglomeração ainda existentes, foi obrigada a interditar o bar. Pediu então que o serviço da cozinha fosse encerrado para que o lugar fechasse. Quando as contas de cada mesa começaram a ser pagas, iniciaram-se os ataques:

— Quando os garçons se aproximaram das mesas informando que o bar iria fechar, eles começaram a se revoltar. Aí começou o coro ofensivo a vir para cima da gente, falando que o que fazíamos era errado e tirava o emprego das pessoas. Falei que meu objetivo era garantir a saúde das pessoas e que não era permitido concentração. E ninguém estava de máscara — conta Jane.

(…)

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