Michel Temer silencia sobre fala de comandante do Exército e deputados criticam
Texto de Gustavo Uribe, Talita Fernandes, Marina Dias, Angela Boldrini, Daniel Carvalho, Bernardo Caram e Anna Virginia Balloussier na Folha.
O presidente Michel Temer decidiu, por ora, não se manifestar sobre a declaração do comandante do Exército, general Eduardo VillasBôas, de repúdio à impunidade no país.
Procurada pela Folha, a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) informou que o presidente não vai comentar.
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Em resposta às declarações do comandante do Exército, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu que órgãos do Estado cumpram suas funções, mas com respeito à Constituição.
“Em momentos de turbulência, quando setores da sociedade se posicionam de diferentes formas, não se deve questionar o respeito à Constituição. Cada órgão do Estado deve seguir exercendo suas funções nos limites estabelecidos por ela. É hora de buscar a união do país com serenidade”, disse em nota o presidente da Câmara e pré-candidato à Presidência da República.
Lideranças petistas se dividiram em relação às declarações do comandante do Exército.
Líder do PT na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (RS), disse à Folha ter considerado a manifestação “muito serena”.
“Acho que é uma publicação que reforça a defesa da Constituição. Ele fala que é a favor do combate à impunidade e do respeito à Constituição”, disse Pimenta, para quem a declaração serviu de resposta a manifestações de generais da reserva contra a concessão de habeas corpus a Lula.
Já o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou as afirmações do general de chantagem.
“É a maior chantagem à Justiça desde a época da ditadura militar”, disse em vídeo postado em uma rede social.
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O vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), disse que as declarações do general Eduardo Villas Bôas demonstram um “sentimento de preocupação com os destinos do país”.
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Para o senador e pré-candidato à Presidência Álvaro Dias, do Podemos, Villas Bôas fez “uma advertência oportuna”.
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Outro pré-candidato, Guilherme Boulos, do PSOL, criticou. “Não é aceitável que o comandante do Exército pressione o Supremo Tribunal Federal ou insinue qualquer tipo de intervenção”, disse à Folha.
“Estamos em abril de 2018 ou de 1964?”
Flavio Bolsonaro, filho do pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) e deputado estadual no Rio, disse: “As Forças Armadas, como sempre, ao lado da Constituição e da democracia!”
Outra pré-candidata, Manuela Dávila (PC do B), pediu respeito ao Estado Democrático de Direito e à Constituição. “As saídas para a crise passam por mais democracia: eleições diretas, respeito ao voto popular e às liberdades democráticas”.

