Privatização do rio Paraná por Milei mira hidrovia estratégica e acende alerta ambiental

O governo de Javier Milei concluiu a concessão da hidrovia Paraná-Paraguai, principal corredor fluvial da Argentina, responsável pelo escoamento de cerca de 80% das exportações do país para o Atlântico. A operação ficou com a belga Jan de Nul, em parceria com a argentina Servimagnus S.A., e envolve 1.635 quilômetros da via fluvial, da confluência dos rios Paraguai e Paraná até o estuário do Rio da Prata. Com informações de brasildefato.com.br.
A licitação, a maior concessão privada do governo Milei, recebeu críticas por suposto direcionamento, exclusão de empresas estatais e ausência de estudos de impacto ambiental. A brasileira DTA Engenharia questionou o edital na Justiça argentina e acabou fora do processo. Segundo a empresa, as exigências restringiam a disputa e favoreciam a operadora que já atuava no rio desde os anos 1990.
Luciano Orellano, do Foro por la Recuperación del Paraná, afirmou ao Brasil de Fato que o desenho da concorrência afastou competidores estatais e atingiu especialmente a China. “Nenhuma empresa poderia ser estatal. Exemplo disso é a rejeição à empresa chinesa. Eles exigiram uma experiência que somente a Jan de Nul, que já estava, tinha. A ideia era excluir a principal competidora, que era a China. Além disso, a licitação foi realizada sem estudos de impacto ambiental”, disse.
A Jan de Nul ficará responsável pela cobrança e administração de pedágios, além de serviços de manutenção, dragagem e sinalização do canal. A empresa promete reduzir custos logísticos em 13,5%, enquanto a expectativa de receita média anual chega a US$ 628,2 milhões. Ambientalistas e organizações argentinas alertam para riscos ao ecossistema do rio, à pesca e à soberania sobre uma rota estratégica que concentra cargas agrícolas, portos privados e interesses geopolíticos de Estados Unidos e China.
