Militante torturada na ditadura receberá indenização de R$ 100 mil

A 7ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) condenou a União a pagar R$ 100 mil por danos morais à ex-presa política Ziléa Resnik, militante do MR-8. A decisão reconhece as torturas que ela sofreu durante a ditadura militar, e a indenização terá juros contados desde 1970. Com informações de O Globo.
Em 1968, Ziléa trabalhava como funcionária administrativa e estudava na Universidade Federal Fluminense (UFF), mas deixou os estudos, a carreira e a própria casa para viver na clandestinidade diante do avanço da repressão. Após a prisão, ela sofreu ameaças, assédio moral, humilhações e outras violências na Polícia Federal.
Depois, agentes a levaram para uma unidade da Marinha na Praça XV, no centro do Rio, onde ela presenciou torturas contra o então companheiro, Luís Carlos. Ziléa seguiu para a Ilha das Flores, como a primeira mulher presa no local, e sofreu torturas físicas, psicológicas e sexuais, episódios reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade. Em 1994, o Estado a reconheceu como anistiada política, reintegrou-a à UFF e a indenizou pelos danos materiais do afastamento profissional.
