Mitomania: entenda o que leva uma pessoa a mentir compulsivamente

Mentir ocasionalmente pode servir para preservar a intimidade, evitar conflitos ou obter vantagens sociais. A mitomania, também chamada de pseudologia fantástica, se diferencia porque a criação de histórias se torna persistente, desproporcional e pode assumir caráter compulsivo, afetando de forma marcante as relações da pessoa.
As narrativas de quem apresenta esse comportamento costumam misturar elementos reais e fantasiosos. Elas podem partir de fatos verdadeiros, que ganham detalhes e proporções incomuns, colocando o narrador como vítima, protagonista de feitos improváveis ou personagem de situações dramáticas. Diferentemente do delírio, a pessoa pode reconhecer que determinados fatos não aconteceram quando confrontada por evidências claras.
Apesar de aparecer na literatura psiquiátrica há mais de um século, a mitomania não é um diagnóstico independente nos principais sistemas classificatórios. Estudos apontam associação com diferentes transtornos e motivações como busca por atenção e autovalorização. Na abordagem terapêutica, especialistas recomendam construir vínculo, oferecer escuta de apoio e tratar possíveis comorbidades, em vez de transformar cada conversa em uma disputa sobre o que é verdadeiro.
