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Modelo de mobilidade com “15 minutos” é viável na capital paulista, diz urbanista

Trânsito em avenida de grande circulação, na cidade de São Paulo (SP). Foto: Reprodução/Marco Ankosqui

O conceito de “Cidade de 15 Minutos” pode ser implantado em São Paulo, segundo o urbanista Carlos Moreno. A afirmação foi feita durante sua visita ao Brasil para lançar a edição nacional de seu livro e participar de um seminário sobre novas centralidades urbanas, em Campinas. Para ele, a capital paulista reúne condições para adotar o modelo, desde que enfrente entraves como segurança e áreas esvaziadas.

Moreno defende que a maior metrópole da América Latina avance na integração entre moradia, comércio e trabalho, priorizando o acesso a serviços essenciais em trajetos curtos. O urbanista propõe concentrar o adensamento populacional ao longo dos eixos de transporte público e estimular o uso misto dos imóveis, com fachadas ativas e menos vagas de estacionamento em regiões bem atendidas por metrô e ônibus.

Na avaliação dele, apenas erguer novos prédios não garante mais moradores nas áreas centrais. A verticalização sem oferta de serviços pode gerar bairros pouco movimentados e dependentes de deslocamentos longos. O fortalecimento do comércio de proximidade é apontado como elemento central para manter as ruas ativas e atrair circulação de pessoas.

Para o especialista, a reocupação de áreas consolidadas como o Centro é estratégica. A requalificação de edifícios antigos pode impulsionar o adensamento, preservar o patrimônio e ampliar a diversidade de usos. O objetivo é reduzir a dependência do carro e aproximar emprego, moradia e serviços no cotidiano da cidade.