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Moradores de baixa renda são barrados de áreas de lazer em condomínios de SP

Empreendimento com habitação popular na zona oeste de São Paulo. Foto: Rafaela Araújo/Folhapress

Condomínios mistos em São Paulo têm separado moradores de imóveis populares dos residentes de apartamentos de maior renda, com restrições a portarias, áreas comuns e espaços de lazer. A prática ocorre nos chamados “subcondomínios”, que dividem a circulação de moradores de unidades de HIS (Habitação de Interesse Social) e HMP (Habitação de Mercado Popular) por meio de muros, acessos distintos e áreas de uso exclusivo.

A separação atinge espaços como piscinas, quadras, salões de festa e academias, que ficam restritos aos apartamentos de padrão mais alto em parte dos empreendimentos. Em um projeto da Lavvi na Chácara Klabin, por exemplo, o setor de maior renda tem quadra de tênis e piscinas, enquanto a área de HMP oferece uma academia compacta como opção esportiva. Incorporadoras como Lavvi, Diálogo Engenharia e SDI admitiram, em depoimentos à CPI da HIS, a existência de empreendimentos com áreas de lazer separadas.

A gestão Ricardo Nunes (MDB) afirma que condomínios mistos não podem impedir que parte dos moradores acesse áreas comuns. Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, divisões físicas internas que restrinjam esse acesso podem caracterizar desmembramento irregular e levar à suspensão ou cassação de licenças. Entidades do mercado imobiliário, como Secovi-SP e Abrainc, defendem que os subcondomínios têm respaldo legal e alegam que a ampliação do acesso pode elevar despesas condominiais de apartamentos populares.