Moro determina perícia em HDs com dados de sistema de propina da Odebrecht
Do Uol:
O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na Justiça Federal do Paraná, autorizou nesta segunda-feira (11) a realização de perícia no equipamento que armazena uma cópia do sistema Drousys, usado pela Odebrecht para gerenciar o pagamento de propinas.
O pedido foi feito na semana passada pela força-tarefa da Lava Jato no MPF-PR (Ministério Público Federal) no processo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é acusado de receber uma propina milionária da Odebrecht. A vantagem indevida teria sido paga na forma de um terreno para o Instituto Lula — nunca usado pela entidade — e de um apartamento em São Bernardo do Campo (SP) usado há anos pelo petista e sua família. O pagamento seria uma contrapartida a uma suposta atuação de Lula para favorecer a Odebrecht em contratos com a Petrobras.
A defesa de Lula diz que o ex-presidente nunca teve a posse ou a propriedade dos imóveis, menos ainda em contrapartida a uma atuação dele na Petrobras.
A perícia, solicitada pelo MPF na quinta-feira (7), diz respeito a dois HDs (discos rígidos) e um pen drive por meio dos quais os dados do Drousys foram enviados por autoridades suíças. Parte do sistema estava armazenada em servidores naquele país.
Os procuradores justificaram o pedido dizendo que o material “guarda relação direta” com a perícia nos dados do Drousys determinada por Moro em setembro. Entre os objetivos do procedimento estão verificar a autenticidade das informações e encontrar eventuais registros relacionados ao terreno supostamente destinado ao Instituto Lula.
Na sexta-feira (8), Lula pediu a Moro para que não autorizasse a perícia. Segundo os advogados do ex-presidente, o acordo não permite o uso dos dados em ações diferentes das especificadas no pacto. A defesa disse também que o equipamento não estava na ação e não foi submetido ao contraditório.
Moro não aceitou os argumentos dos advogados de Lula. Segundo o juiz, “o confronto entre o novo material recebido e o anterior ainda poderá ser relevante para atestar ou não a autenticidade dos documentos digitais pertinentes.”
Ainda segundo Moro, o pedido de cooperação do MPF “faz referência a processos específicos e aos conexos” na Lava Jato, o que também inclui o processo em questão.
O resultado da perícia determinada em setembro, que estava marcada para começar no dia 10 de novembro, ainda não foi entregue pela Polícia Federal. Quando informou a Moro a data de início dos trabalhos, a corporação não fez previsão de data para a conclusão das atividades. No despacho de hoje, Moro diz apenas que esta perícia está “em curso”.
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