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Morre aos 78 anos Assata Shakur, ex-Pantera Negra, exilada em Cuba

Morre aos 78 anos Assata Shakur, símbolo da luta negra e exilada em Cuba

Assata Shakur, ex-integrante dos Panteras Negras e do Exército de Libertação Negra (BLA), morreu nesta quinta-feira (25), aos 78 anos, em Havana, Cuba, onde vivia exilada desde 1984. O governo cubano informou que a causa da morte foi natural. Procurada pelo FBI, Shakur foi condenada pela morte do policial Werner Foerster em 1973, mas fugiu da prisão em 1979 e recebeu asilo político de Fidel Castro.

Nascida JoAnne Deborah Byron, em Nova York, em 1947, Shakur se envolveu com movimentos de direitos civis e com organizações comunistas nos anos 1960. Ela adotou o nome Assata Olugbala Shakur em 1971 e tornou-se uma das figuras mais visadas pelo governo estadunidense durante a repressão ao movimento negro. Sua ligação com o BLA a colocou no centro de acusações de ataques contra policiais e assaltos a bancos, que militantes descreviam como autodefesa diante da violência racial da época.

Condenada à prisão perpétua pela morte de Foerster, mesmo após provas médicas indicarem que estava ferida e incapaz de disparar, Shakur escapou da penitenciária com a ajuda de militantes armados. Sua fuga e posterior asilo em Cuba transformaram-na em símbolo de resistência para movimentos negros e de esquerda, mas também em alvo prioritário do FBI, que chegou a oferecer US$ 2 milhões por informações sobre seu paradeiro e a listá-la como terrorista.

Durante quatro décadas em Cuba, Shakur escreveu livros, atuou como editora da Rádio Havana e tornou-se referência para ativistas de direitos civis no mundo. O governo dos EUA tentou diversas vezes obter sua extradição, inclusive sob Donald Trump em 2017, mas Havana se recusou a entregá-la. Madrinha do rapper Tupac Shakur, Assata se consolidou como ícone global da luta contra o racismo e a perseguição política.