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Lado sombrio: Boom do “lifting de bumbum” expõe mortes, infecções e clínicas clandestinas

Em rápida expansão, o setor hoje oferece aplicações de cosméticos injetáveis em praticamente qualquer lugar, de salões de beleza a escritórios alugados e quartos de hotel – Foto: Getty Images / BBC

A morte de Alice Webb, de 33 anos, colocou sob pressão o mercado britânico de procedimentos estéticos injetáveis. Mãe de cinco filhos, ela morreu menos de 24 horas depois de fazer um Brazilian butt lift (BBL) não cirúrgico, procedimento que injeta grandes volumes de preenchimento dérmico nos glúteos, em uma clínica temporária instalada em um salão de beleza alugado em setembro de 2024. Um inquérito judicial deve apurar a causa da morte.

Em expansão rápida, o setor oferece aplicações de cosméticos injetáveis em salões de beleza, escritórios alugados, quartos de hotel e clínicas temporárias. Uma investigação da BBC encontrou profissionais dispostos a aplicar centenas de mililitros de preenchimento em salas improvisadas, além da oferta de medicamentos sob prescrição sem consulta médica adequada. A organização Save Face, que credencia profissionais e clínicas no Reino Unido, relata casos de danos graves, como infecções, internações e complicações após procedimentos anunciados como simples e de baixo risco. “É tão horrível que parece um filme de terror. Mas esses procedimentos estão sendo realizados nas ruas principais das nossas cidades”, afirmou Ashton Collins, diretora da entidade.

O Reino Unido tem uma das regulações mais brandas da Europa para cosméticos injetáveis: qualquer pessoa pode fazer um curso, comprar preenchedores dérmicos e oferecer o serviço ao público, enquanto conselhos profissionais fiscalizam apenas médicos, enfermeiros e dentistas. Um levantamento do cirurgião plástico Alexander Zargaran identificou quase 20 mil profissionais de Botox no país em 2025, ante pouco mais de 3,5 mil em 2023, com maior concentração nas áreas mais pobres. Os governos da Inglaterra e da Escócia prometem endurecer as regras, com licenciamento e restrições a procedimentos de maior risco; no Brasil, o PMMA deixou de ter uso estético autorizado após uma série de complicações e mortes, e o CFM pediu à Anvisa a proibição do produto para essa finalidade.