Após morte de Sam Neill, IA transforma astro de “Jurassic Park” em “fantoche digital”; entenda

A morte do ator britânico e neozelandês Sam Neill, nesta segunda-feira (13), levou à circulação de imagens e vídeos feitos por inteligência artificial que o recriam em cenas associadas à franquia “Jurassic Park”. Nas montagens, o intérprete do paleontólogo Alan Grant surge como um fantasma entre dinossauros ou chegando aos portões do parque em meio a nuvens.
O fenômeno, conhecido como “necromancia digital”, descreve o uso de vozes, imagens e traços de personalidade de pessoas mortas para produzir conteúdos com IA. A prática ganhou força com ferramentas acessíveis capazes de transformar mensagens, áudios e vídeos deixados por alguém em avatares ou “grief bots”, robôs de luto usados para simular interações com falecidos.
A professora Elaine Kasket, da Universidade de Bath, no Reino Unido, afirma que esse tipo de conteúdo pode transformar o luto em produto e criar “fantoches digitais” de pessoas que não podem mais se defender. “Qualquer pessoa pode usar restos digitais para manipular os mortos como fantoches”, diz a autora de “All the Ghosts in the Machine: The Digital Afterlife of Your Personal Data”. Ela defende um modelo de direitos da personalidade que se estenda para além da morte e limite o uso de dados pessoais para replicação digital.
No Brasil, um dos casos mais lembrados ocorreu em 2023, quando a Volkswagen usou deepfake para criar um dueto entre Elis Regina, morta havia 44 anos, e Maria Rita. O Conar abriu uma investigação para apurar se a campanha violava o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, enquanto um projeto do senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL) propunha regras para o uso de imagens e áudios de pessoas falecidas por IA; ambos acabaram arquivados.
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