Vale a pena ser motorista de aplicativo? Pesquisa aponta jornada maior e ganhos menores

Um estudo do Tribunal Superior do Trabalho (TST) aponta que motoristas de aplicativo podem ter renda mensal próxima à média dos trabalhadores brasileiros, mas recebem menos quando o cálculo considera as horas dedicadas à atividade. O ganho médio mensal chega a R$ 2.996, acima do salário mínimo federal de R$ 1.621, mas abaixo da renda média no país, de R$ 3.367 em 2025. Com informações de g1.
A diferença aparece na jornada. Enquanto os trabalhadores em geral atuam, em média, 39,3 horas por semana, motoristas de aplicativo trabalham cerca de 44,8 horas. Com isso, o rendimento por hora fica 8,3% menor do que o de quem trabalha fora das plataformas. O levantamento integra um diagnóstico mais amplo sobre o trabalho por aplicativos no Brasil, onde cerca de 1,7 milhão de pessoas atuam em plataformas digitais; quase 60% delas estão no transporte de passageiros.
O estudo também questiona a ideia de liberdade e flexibilidade defendida pelas empresas do setor. Os aplicativos definem o valor das corridas, distribuem chamadas e podem bloquear motoristas. Mais de 90% dos profissionais dizem não ter controle sobre o preço cobrado nas viagens. Na avaliação do TST, o controle não desapareceu: ele passou a ocorrer por sistemas de avaliação, notas e rankings, que podem afetar a quantidade de corridas recebidas e a renda.
Os custos da atividade ficam quase todos com o trabalhador, incluindo combustível, manutenção, seguro, impostos, alimentação e internet. O estudo estima que as despesas mensais podem ultrapassar R$ 5.500 e cita dados de que 92% dos trabalhadores de plataformas estão endividados. A falta de proteção trabalhista agrava o quadro: a maioria não tem férias, 13º salário, seguro-desemprego ou aposentadoria garantida, e mais de 60% não contribuem para a Previdência Social.
