MPDFT infiltrou servidores na Blaze em ação contra Virginia; entenda

Servidores do MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) atuaram entre clientes da Blaze para monitorar comunicações promocionais e reunir provas para a ação civil pública contra a casa de apostas e a influenciadora Virginia Fonseca. O processo de 855 páginas detalha a atuação da Promotoria do Consumidor na coleta de e-mails publicitários enviados pela plataforma.
O promotor Paulo Binicheski afirma que “o objetivo foi monitorar as comunicações promocionais e de marketing da operadora, garantindo a preservação da cadeia de custódia digital dos documentos obtidos”. O MP diz que os documentos indicam uma estratégia sistemática de envio de mensagens a consumidores cadastrados, com linguagem persuasiva, senso de urgência e promessas de benefícios. A Promotoria também aponta que condições essenciais das ofertas apareciam no rodapé, em tipografia “visivelmente inferior”, o que configuraria, em tese, publicidade enganosa por omissão pelo Código de Defesa do Consumidor.
O MPDFT ajuizou a ação nesta quinta-feira (09), com pedido de tutela de urgência, e cobra indenização de R$ 120 milhões. O órgão acusa a Blaze e Virginia de adotarem práticas publicitárias abusivas para atrair consumidores a apostas esportivas durante a Copa do Mundo de 2026. A investigação começou após denúncias de consumidores sobre retenção de valores, bloqueio de contas e dificuldades para sacar recursos depositados na plataforma. Em relação à influenciadora, o promotor sustenta que ela publicou conteúdos incentivando apostas na Blaze sem deixar claro o caráter publicitário da divulgação, especialmente no jogo de Cabo Verde.
A defesa de Virginia disse que responderá às alegações nos autos e afirmou que diligências ainda pendentes, como requisição de contratos e outras informações, são essenciais para esclarecer o vínculo, a remuneração e os limites da atuação publicitária da influenciadora. A defesa também refutou “qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores”. A Foggo Entertainment Ltda, detentora da marca Blaze no Brasil, informou que ainda não foi formalmente intimada e disse que prestará esclarecimentos quando for notificada.
