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MPF tenta ‘inibir o Supremo’, diz Gilmar Mendes

Do blog do Josias de Souza:

O ministro Gilmar Mendes afirmou que o pedido de suspeição que tenta afastá-lo do caso sobre o empresário de ônibus Jacob Barata Filho se baseia “num falso escândalo.” Para ele, o real objetivo da iniciativa endossada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot é fazer um “patrulhamento por concessão de habeas corpus.” Disse que o Ministério Público quer “botar medo nas pessoas que concedem habeas corpus.” Em entrevista ao blog, ele acrescentou: “Na verdade, tentam inibir o Supremo.” Não se deu por achado: “A mim não vão inibir!”

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Recebeu flores de Jacob Barata Filho? Se fosse adotado esse critério, ninguém poderia julgar ninguém. Você sabe como é a relação em Brasília. Nós convivemos com políticos 24 horas, com a imprensa inclusive. Não poderíamos julgar ninguém. No caso específico, estou absolutamente tranquilo. Nós conhecemos este senhor no dia do casamento [da filha do empresário, Beatriz Barata, com Francisco Feitosa Filho, sobrinho de Guiomar Mendes, mulher do ministro]. Sei lá por que ele mandou flores em 2015 para Guiomar e para mim. Pode ter sido por alguma declaração que eu dei. Não recebo apenas flores, recebo xingamentos também.

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Pretende responder ao pedido de manifestação que a ministra Cármen Lúcia lhe enviou? Claro. Já respondi ao pedido anterior [referente ao habeas corpus que libertou Eike Batista].

O que dirá? Acompanhei a Guiomar num casamento do sobrinho dela, que teve grande divulgação. Mas eu vou a tantos casamentos em que sou padrinho… E sequer conheço um terço dos outros padrinhos. Se um assessor meu me convida para ser padrinho eu vou. É um tipo de homenagem. E só. Nessa mesma arguição de suspeição eles chegaram a dizer que conheço um outro impetrante, um tal de Lélis [Teixeira, ex-presidente da federação das empresas de ônibus do Rio], porque eu pertencia a um conselho editorial de uma revista chamada Justiça e Cidadania. Participo de conselhos de revistas no mundo inteiro —na Itália, na Alemanha… Não tenho que conhecer as pessoas que estão lá. Se fosse assim, eu não poderia julgar ninguém em Brasília, do mundo político, porque eu conheço a todos. Vou a essas reuniões de políticos e tiro fotos com mulher, com filho, carrego neto no colo. Essa tem sido a minha rotina há muito tempo. No final, às vezes desagradavelmente, eu tenho que julgar. E isso acontece com todos nós no tribunal. Quem disser que é diferente… Alguns mais, outros menos. A não ser o Celso de Mello, que não aceita convite para nada. Mas já caiu numa armadilha: indicaram uma ex-assessora dele para ser advogada do [Cesari] Battisti. E ele teve que se afastar do julgamento. Isso passa a ser uma forma de manipular. Os americanos têm um excesso de cuidado com isso, porque essa é uma forma de manipular a composição da Corte.

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É diferente dos casos de Jacob Barata e Lélis Teixeira, que o senhor libertou e o juiz Bretas quis prender novamente? Ele mandou prender o Jacob porque tinha uma ordem anterior em relação a evasão de divisas. Disse que ele carregava mais de 10 mil euros. E, por isso, estava evadindo divisas. Isso, você sabe, os jornalistas ricos da Folha certamente viajam com mais de 10 mil euros.