Mudança na meta fiscal é fracasso de Meirelles e prejuízo maior fica com os mais pobres

Se não houver mudança de última hora, as metas fiscais deste e do próximo ano deverão ficar mesmo em R$ 159 bilhões negativos. Podem ser fixadas um pouco acima de R$ 159 bilhões, mas abaixo de R$ 160 bilhões, para efeito de propaganda.
Essa era a posição que o presidente Michel Temer sinalizava bancar até ontem, mas haverá mais uma reunião hoje para acertar detalhes. Se confirmadas as novas metas, será uma elevação de R$ 50 bilhões em relação às previsões para 2017 e 2018.
Os números atuais são de um deficit de R$ 139 bilhões neste ano e de R$ 129 bilhões no próximo, somando R$ 268 bilhões. Agora, a conta deverá ser elevada para R$ 318 bilhões e uns quebrados. Essa revisão corresponde a um erro de previsão de quase 20% em relação às metas previstas. É um erro de cálculo significativo ao estimar receitas e despesas.
Como o Congresso se recusa a aumentar impostos, sobretudo das fatias mais ricas do funcionalismo público e da iniciativa privada, a conta cairá mais pesadamente sobre os ombros dos mais pobres, porque a dívida pública crescerá ainda mais. Isso sempre cobra um preço mais alto dos mais pobres, porque significa orçamentos ainda mais apertados, inclusive para a área social.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendeu no fim de semana um número menor de rombo para o ano que vem, mas ouviu críticas do Planejamento e da área política de que seria uma decisão irrealista. Aliás, o time político queria fixar um rombo ainda maior, porque crê que essas novas metas talvez não sejam atingidas.
Maquiagem fiscal
Há um arranhão na credibilidade da atual equipe econômica. Na prática, ela está adotando uma medida que criticou duramente no governo Dilma. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, assumiu dizendo que o novo time econômico trabalharia com metas realistas. Está havendo uma maquiagem fiscal semelhante às que ocorreram no governo Dilma.
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