“Pesadelos e medo de banho”: Sobrevivente de Ilhabela muda o visual após 42 horas à deriva

Um mês após sobreviver cerca de 42 horas à deriva no mar em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, Bruna Damaris Sant’Anna da Silva afirma que ainda lida com as consequências do trauma. Em entrevista ela relatou dificuldades para dormir, medo da água do mar e até de tomar banho, além do esforço para reconstruir a rotina.
Bruna contou que a primeira semana depois da alta hospitalar concentrou os momentos mais difíceis. “Eu tinha muita dificuldade para dormir. Cheguei a tomar medicação, mas prefiro evitar. Na primeira semana foi bem complicado. Eu tinha pesadelos e, de vez em quando, ainda tenho”, disse. Ela faz acompanhamento com psiquiatra e psicólogo e afirmou que precisou da ajuda de uma amiga para tomar banho: “Ela ficava falando: ‘Essa água é boazinha, essa água é quentinha’. Ficava o tempo todo do meu lado.”
Pescadores resgataram Bruna durante o terceiro dia de buscas, que mobilizaram autoridades e seguem sob investigação. Ela também relatou culpa por ter deixado Dheorge Pereira Bernardino para tentar buscar ajuda, mas disse acreditar hoje que os dois teriam morrido se ela tivesse permanecido ao lado dele. O corpo dele apareceu no dia 1º de junho, e a causa indicada foi afogamento.
Na tentativa de retomar a rotina, Bruna voltou a cozinhar, assistiu a séries e preparou um camarão pescado pelos mesmos pescadores que a encontraram viva. Ela também mudou o visual após uma iniciativa de uma cabeleireira amiga. “Ela queria me presentear com esse cuidado para que eu tivesse um recomeço brilhante e saudável. Foi aí que a ideia do recomeço se fortaleceu na minha mente.” Apesar de ter nascido e crescido em São Sebastião, disse que não pretende nadar no mar tão cedo: “Prefiro manter distância por enquanto.”
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