Mulher de João Doria, que apoia censura a museus, fez escultura de mulher nua
A mulher de João Doria, Bia, artista plástica, deu entrevista ao Estadão sobre a censura à exposição do Santander e à performance de Wagner Schwartz no MAM, que seu marido prefeito apoiou.
A senhora é uma artista plástica. Como artista, o que achou da censura à performance?
Eu defendo a liberdade de expressão na arte. Mas ao mesmo tempo, sou contra algo que possa agredir a religião e os princípios.
Mas o museu colocou um aviso antes da performance avisando do que se tratava. Quem entrou lá sabia o que veria.
Sim, não fazer a performance também seria estranho. O que eu vejo, desde que o João entrou na Prefeitura, que a coisa mais difícil é agradar a todos e contar com o bom senso das pessoas.
Isso chegaria a ser incentivo à pedofilia como estão afirmando?
Acho que pode ser sim. Acho que a mãe errou. A criança não vai saber depois o que é certo e errado, vai ficar confusa.
Você já se deparou com questões desse tipo – de ficar num limiar entre a livre expressão e o cuidado com crenças e costumes – na sua arte?
Já. Uma vez eu fiz uma escultura que era a silhueta de uma mulher nua, como se fosse a mãe natureza. Mas tomei cuidado pra ser algo de bom gosto. Uma coisa é uma estátua, como as de Michelangelo, representando o nu, e outra é um homem de verdade sem roupa. É exagerado.
