Apoie o DCM

A mulher que receberá R$ 65 mil após trabalhar 57 anos sem salário

Ilustração relacionada ao trabalho doméstico
Imagem ilustrativa

O Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) reconheceu que uma mulher viveu em condições análogas à escravidão ao trabalhar por 57 anos para a mesma família sem receber salários nem ter a carteira assinada. Ela receberá R$ 65 mil por danos morais e existenciais, além de verbas trabalhistas de todo o período.

A trabalhadora começou aos 12 anos, em 1º de janeiro de 1968, e deixou o serviço em 11 de janeiro de 2025. Nesse período, atuou como empregada doméstica, cuidadora de uma idosa e gerente de um hotel da família, em cidades como Teófilo Otoni e Joaíma. Em troca, recebia moradia e alimentação.

A decisão garante o pagamento de salários, férias, 13º salário, FGTS, aviso-prévio, multa rescisória, adicional por acúmulo de funções e indenização pelo seguro-desemprego, além do registro do vínculo na Carteira de Trabalho. Testemunhas relataram jornadas iniciadas antes das 5h, humilhações e restrições à liberdade da mulher, que não conseguia estudar, viajar ou tomar decisões sem autorização da família. A família alegou que acolheu a trabalhadora por generosidade e negou a relação de emprego, mas o TRT-MG manteve o reconhecimento da exploração. O processo ainda aguarda a análise de um recurso que pode seguir para o Tribunal Superior do Trabalho.