“Tia solteira” não sofre: mulheres redefinem a vida sem parceiro; entenda

Quase metade dos brasileiros vive sem companheiro ou companheira, entre pessoas que nunca se casaram, se divorciaram, se separaram ou ficaram viúvas. Para muitas mulheres, porém, a solteirice deixou de representar fracasso amoroso ou solidão e passou a abrir espaço para autonomia, novos vínculos e outras formas de viver a felicidade.
Thaíse Valentim, Rafaely Alves, Sabrina Franco e Carolina Piacitelli se conheceram há cerca de um ano em uma comunidade de mulheres na internet e criaram uma amizade marcada por viagens, conversas e apoio mútuo. Rafaely, que voltou ao Brasil após o fim de um casamento de quase dez anos, resume a mudança: “Talvez eu tenha me tornado aquilo que todo mundo abomina: tia solteira. E eu provo ali que a tia solteira não sofre. Tia solteira viaja, se banca, tia solteira tem amigas”.
A psicóloga e professora da Universidade de Brasília Valeska Zanello afirma que ainda há preconceito contra mulheres sem parceiro, frequentemente tratadas como se não fossem desejadas por homens. Para o psicanalista Lucas Bulamah, a pressão é desigual: enquanto a figura do solteirão costuma ser vista como charmosa, a mulher solteira foi associada à ideia de que “ficaria pra titia”. As amigas rejeitam que um relacionamento seja pré-requisito para a realização pessoal e defendem vínculos afetivos construídos também fora do romance.
