Como os músculos podem influenciar a saúde do fígado, pâncreas e até do cérebro

Pesquisas têm ampliado o entendimento sobre a influência dos músculos no funcionamento de órgãos como fígado, pâncreas e cérebro. Além de permitir movimentos, a musculatura atua como reserva de proteínas e energia e libera substâncias que participam do metabolismo e da comunicação entre diferentes partes do corpo.
Um estudo conduzido no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, vai avaliar 250 pacientes de 18 a 85 anos para identificar se mudanças na composição muscular podem antecipar riscos de doenças hepáticas. Os pesquisadores usam ultrassom, dexa, ressonância magnética, exames de sangue e testes de força para relacionar características dos músculos a dados metabólicos. “Sabemos, por exemplo, que se há gordura no músculo também há no fígado”, afirmou o hepatologista João Marcello de Araújo Neto, coordenador da pesquisa.
A infiltração de gordura no tecido muscular, conhecida como mioesteatose, pode reduzir a qualidade e a função dos músculos mesmo quando seu volume parece normal. Em pessoas com doença hepática avançada, a perda muscular também compromete a capacidade do organismo de remover amônia do sangue, o que aumenta o risco de encefalopatia. Estudos com camundongos da Unicamp indicaram ainda que o treino de força reduziu inflamações no fígado e melhorou a sensibilidade à insulina associada à obesidade.
