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Na Argentina, lei obriga presidente a ser padrinho do sétimo filho desde 1974

O presidente da Argentina, Javier Milei. Foto: Divulgação

Na Argentina, uma lei em vigor desde 1974 determina que o presidente da República se torne padrinho do sétimo filho ou filha de uma família com seis anteriores do mesmo sexo. O decreto, que oficializou o chamado “padrinazgo presidencial”, foi criado durante o governo de Juan Domingo Perón e permanece válido. Assim, o atual presidente, Javier Milei, herda a obrigação de aceitar o convite de famílias que se enquadram na regra — um gesto que une burocracia e tradição popular.

A norma surgiu a partir de costumes trazidos por imigrantes russos no início do século XX. Na cultura popular, acreditava-se que o sétimo filho homem estava sujeito a se transformar em um “lobizón”, figura do folclore local semelhante ao lobisomem. Para afastar o estigma, presidentes passaram a apadrinhar essas crianças como forma simbólica de proteção, prática que mais tarde foi convertida em lei nacional.

Com o passar das décadas, o apadrinhamento se transformou em ato oficial de Estado. O presidente argentino ou seu representante participa do registro civil ou envia carta e presente à família. Além do caráter cerimonial, a lei garante uma pequena ajuda financeira, mantida por tradição, sem grande impacto orçamentário.

Embora vista como uma curiosidade histórica, a regra segue ativa. Javier Milei, crítico de costumes considerados “arcaicos”, ainda não se pronunciou sobre o futuro da lei. Até que haja mudança formal, cada novo sétimo filho de um mesmo sexo continua, por direito, com o presidente da Argentina como padrinho oficial.