Na China, Temer manda jornalistas falarem com seu advogado
Do Valor:
O presidente Michel Temer afirmou que seu advogado “certamente tomará providências” em relação à rejeição pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), do seu pedido para declarar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, suspeito de atuar nos casos que o envolvem. Para Fachin, a defesa de Temer não apresentou elementos suficientes para que a tese fosse acolhida.
Em Pequim, no primeiro contato com a imprensa, na madrugada desta quinta-feira no Brasil, Temer foi indagado sobre esse caso. Em certo momento, perguntou aos jornalistas se queriam falar dos encontros que ele tivera pouco antes com grandes empresários chineses.
Questionado sobre como recebeu a decisão de Fachin, o presidente respondeu: “com naturalidade, n锑. E acrescentou: “Essa é uma questão que diz respeito ao meu advogado. O advogado certamente tomará providências, com muita naturalidade como costuma acontecer nas questões jurídicas”.
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Um repórter perguntou se Temer não achava estranho que, com o pedido de suspeição de Janot, ele estaria tentando desqualificar o acusador em vez de provar sua inocência.
“Interessante, não?”, retrucou o presidente. “Interessante o que você disse. Não é desqualificar. Você sabe que no plano jurídico, quando alguém começa a agir suspeitamente, você tem de arguir a suspeição e quem decide é o Judiciário. O Judiciário é que vai decidir o que deve haver, se há suspeição ou não há suspeição. O que não se pode é manter o silêncio. Aí foi o que o meu advogado fez”.
Sobre a decisão de Fachin de devolver a delação do Funaro à Procuradoria-geral, o presidente respondeu: “Eu confesso que só soube da notícia. Deve haver algum equívoco na delação. Certamente mandou esclarecer. Eu suponho até que o procurador vai esclarecer e vai devolver. Essa coisa está no Judiciário, não é mais comigo.”
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Para o presidente, essa é também uma questão jurídica. “Nós vamos nos pronunciar sobre isso. Vocês sabem que lá havia uma exploração clandestina, ilegal do minério. Vocês verificaram que pelo decreto que foi expedido, que há preservação absoluta de toda e qualquer área ambiental e área indígena e o que há uma regularização daquela exploração que se faz naquela região. Nada mais do que isso. É de uma singeleza ímpar”.
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