Apoie o DCM

“Não coloco Lula e Bolsonaro no mesmo patamar”, afirma cientista político da Fundação FHC

O cientista político Sérgio Fausto, superintendente-executivo da Fundação Fernando Henrique Cardoso, deu uma entrevista à BBC Brasil em que diferenciou Lula e Bolsonaro, discurso de muitos de seus pares tucanos:

BBC Brasil – É melhor para a democracia que Lula possa concorrer?

Sérgio Fausto – Em tese, eu acho que seria melhor para o país que Lula disputasse e perdesse. Agora, nós vivemos num Estado democrático de Direito. Existem leis, existe o sistema Judiciário, existem processos. Se o Lula for condenado, me parece inteiramente descabido dizer que existe um complô judiciário para inviabilizar sua participação na eleição.

As acusações contra ele são muito robustas, muito graves. Não é apenas uma. É um conjunto de acusações. Elas têm tramitado segundo o devido processo legal. Portanto, se ele for condenado, se houver infração da lei que o tornaria inelegível, segundo a lei de inelegibilidade modificada por uma emenda popular que foi a lei da Ficha Limpa, eu não vejo nenhuma razão para se insurgir contra essa decisão do Judiciário. Essas são as regras do jogo às quais todos os brasileiros estão submetidos.

BBC Brasil – Se ele não concorrer, haverá o risco de parte da população, que deseja votar nele, ficar descrente da legitimidade da eleição?

Sérgio Fausto – Esse risco existe, mas, de novo, é o primado da lei. A lei se sobrepõe às preferências do eleitorado. Em uma democracia, o princípio da maioria não se sobrepõe ao princípio da legalidade. E não é uma legalidade criada autoritariamente, por um regime arbitrário, são as regras definidas pela democracia brasileira.

(…)

BBC Brasil – Em artigo recente, você diz que Lula e Bolsonaro adotaram narrativas falsas como estratégias eleitorais. No caso do petista, essa narrativa seria se colocar como vítima de uma conspiração das elites para impedi-lo de concorrer. No caso do deputado, seria se colocar como candidato liberal. Também não é uma estratégia eleitoral, do PSDB e de outras legendas no momento, colocar Lula e Bolsonaro no mesmo nível de radicalismo e se apresentar como opção de centro?

Sérgio Fausto – Posso te dizer por mim, eu não coloco Lula e Bolsonaro no mesmo patamar, por maiores as críticas que eu tenho ao Lula e ao PT, o PT e o Lula não representam aquilo que representa o Bolsonaro. O Bolsonaro é um sujeito que ultrapassa todos os limites da convivência democrática equilibrada. Eu não estabeleço equivalência entre o Lula e o Bolsonaro.

(…)