‘Não sou candidato’, diz Temer, que não quer sair do governo como corrupto, acredite se quiser
Texto de Carla Araújo no Estado de S.Paulo.
O presidente Michel Temer disse em entrevista à Rádio Bandeirantes que a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro “é uma jogada de mestre”, mas tentou deslocar a ação de qualquer intenção de concorrer a reeleição. “Não tem nada de eleitoral”, completou na entrevista. “Sou candidato a fazer um bom governo. Tenho dito reiteradamente, em política as circunstâncias é que ditam a conduta e as circunstâncias atuais ditam a minha conduta. Eu não sou candidato”, afirmou.
Ao ser questionado se isso significaria que então ele não poderá vir a ser, o presidente ponderou: “Ah, eu não vou dizer isso porque, na verdade, a minha intenção de hoje vai alongar-se pelo tempo todo. Eu não serei candidato”, reforçou.
Temer destacou sua carreira política e disse que as circunstâncias o levaram à Presidência. “Quando cheguei na Presidência disse que ‘tenho uma missão’, dificílima, porque não é fácil isso daqui. É uma coisa complicadíssima”, destacou, ressaltando que já é “muito feliz” de ter exercido a Presidência nesse mandato.
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A medida, agora classificada como “jogada de mestre”, foi vista como eleitoreira por pré-candidatos ao Palácio do Planalto, como o deputado Jair Bolsonaro (PSD-RJ), e parlamentares da oposição. O presidenciável ministro Henrique Meirelles (Fazenda), por exemplo, até chegou a deixar mais claro que também está no jogo. Ele disse não ver problema em disputar com Temer a Presidência.
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O presidente disse que não seria adequado se manifestar sobre o caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a possibilidade de ele ficar fora das eleições por causa da condenação em segunda instância, mas repetiu achar melhor que ele pudesse participar do pleito. “Eu acho que se ele tiver condição de disputar acaba uma coisa meio mítica, ele vai pra eleição se for eleito muito bem, se não for”, disse, reiterando que não defenderia essa posição porque o tema está no Poder Judiciário. “E seria uma intervenção em outro Poder.”
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O presidente disse que não tem preocupação em ficar sem o foro privilegiado. “Eu não tenho nenhuma preocupação com essas denuncias pífias”, disse. Para Temer, as “conspirações de natureza moral” que tentaram o derrubar não foram fáceis, mas mostraram o seu “prestigio no congresso nacional”. Segundo o presidente, em nenhum momento, ele teve receio de perder o cargo. Ele é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal sobre suspeitas de irregularidades no Decreto dos Portos.
O presidente disse que espera chegar ao fim do seu mandato podendo dizer que cumpriu o lema que está na bandeira no Brasil, de ordem e progresso. “Não vou tolerar a história de sair da presidência como um sujeito corrupto”, completou.
Para Temer, as “conspirações de natureza moral” que tentaram derrubá-lo não foram fáceis, mas mostraram o seu “prestígio no Congresso Nacional”, na votação das denúncias.
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