“Não vamos nos calar mais”, diz vítima de assédio em ônibus de SP
Do UOL:
Uma “tristeza muito grande por saber que isso vai se repetir”, mesclada com um otimismo “de que as mulheres estão, enfim, muito mais ativas para denunciar”. É essa a opinião da cantora Juliana de Deus, 25, sobre casos de violência contra a mulher no transporte coletivo, como o que ela própria sofreu nesta quarta-feira (30) em São Paulo.
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O caso de Juliana foi registrado como importunação ofensiva ao pudor, delito menos grave e que também implica em multa. Encaminhado ao mesmo distrito policial que o homem da véspera, o 78º, nos Jardins, ele foi ouvido e liberado após assinar um termo circunstanciado –na prática, um registro de pequenas infrações.
“Sentei nos últimos bancos do ônibus, quando um rapaz chegou, se sentou ao meu lado e começou a se encostar em mim. Me ajeitei, para ver se ele se tocava, até que me distraí e ele, com uma blusa em cima das mãos, apalpou um dos meus seios”, relatou.
“Vi a mão dele e virei um bicho. Fiquei muito mal, mas tentei afastar ele das outras mulheres. Fui até a cobradora perguntar como eu fazia para denunciar, e então ela me perguntou se ele ainda estava no ônibus. Ele veio para cima de mim para se desculpar, disse que era ‘homem casado’ e que eu estava ‘ficando louca’. Comecei a gritar, e aí as mulheres que estavam no ônibus me ajudaram muito a lidar com a situação. O próprio motorista fechou o ônibus para ele não sair e só parou em frente a dois camburões da Polícia Militar”, narrou.
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“Resolvi prestar queixa não por achar que isso surta algum efeito ou pela penalização em si, mas para quantificar, estatisticamente, esses acontecimentos. Também não confio nesse sistema machista e conduzido por um montão de homens, mas preciso que meu caso entre nos números. Afinal, as políticas públicas só podem ser criadas se existirem esses dados”, justificou a cantora.
