Como a Naskar levou uma avó de 77 anos ao centro de um rombo de R$ 900 milhões

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu em São Paulo, nesta quarta-feira (22), Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, ex-jogador de vôlei conhecido como Maurício Jahu, fundadores da Naskar. A operação apura um rombo estimado em R$ 900 milhões que atingiu milhares de investidores. A investigação aponta que a fintech captava recursos com promessa de rendimento de 2% ao mês e interrompeu os pagamentos em maio. Com informações de Metrópoles.
Documentos registrados na Junta Comercial de São Paulo mostram uma sequência de mudanças societárias antes do colapso da empresa. Depois que a Naskar tirou o aplicativo do ar e cortou a comunicação com clientes, a companhia divulgou que havia sido vendida por R$ 1,2 bilhão a uma suposta gestora norte-americana chamada Azara. Nos registros oficiais, porém, o comprador formal aparece como Douglas Silva de Oliveira, de 25 anos, que declarou renda mensal de R$ 1,8 mil, tem histórico de ações judiciais e alterou o próprio sobrenome para “Azara” meses antes da crise.
Em 28 de maio, Douglas transferiu 100% das quotas da Naskar para a avó materna, Célia de Fátima Ferreira, de 77 anos, viúva e moradora de Uberlândia (MG). A alteração incluiu cláusulas de impenhorabilidade, incomunicabilidade e inalienabilidade, mecanismos usados para dificultar bloqueios e proteger patrimônio contra credores. O formulário assinado pela nova proprietária trazia como contato o e-mail diretoria@7trust.com.br; a 7Trust pertence ao grupo controlado pelos antigos sócios da fintech, o que, para investigadores, enfraquece a versão de uma nova gestão independente.
A capacidade financeira da família também entrou no radar. Documentos judiciais indicam que familiares de Douglas acumulavam execuções bancárias acima de R$ 1 milhão desde 2022, enquanto empresas ligadas ao mesmo endereço se apresentavam como instituições de pagamento e declaravam capital bilionário sem autorização do Banco Central. Os investidores ainda aguardam ressarcimento e recebem atendimento automatizado no WhatsApp identificado como Azara Capital LLC, que solicita CPF, dados bancários e outras informações pessoais; especialistas avaliam que o procedimento pode gerar riscos à luz da LGPD.
