Apoie o DCM

A nevasca de 1957 que deixou São Joaquim isolada e acumulou mais de 1 metro de neve

Maria de Lurdes Hugen de Souza e Morador fez um monte de neve do tamanho da casa – Foto: Mycchel Legnaghi/ Bampi/Divulgação

A nevasca de 20 de julho de 1957 marcou a história de São Joaquim, na Serra de Santa Catarina. Maria de Lurdes Hugen de Souza, hoje com 82 anos, tinha 14 quando viu os flocos caírem por cerca de sete horas e cobrirem a cidade. “Era um espetáculo para a gente abrir a janela e ver aquela imensidão branca”, relembra.

O acúmulo chegou a cerca de 1,30 metro em portas de casas, ruas e estradas. Os acessos ficaram bloqueados por uma semana, e a Força Aérea Brasileira lançou alimentos por aviões para atender os moradores. Na época, São Joaquim tinha pouco mais de 10 mil habitantes espalhados por 1.888,6 km² de território.

Maria de Lurdes lembra que o céu azul ficou cinza naquela manhã e que a temperatura caiu conforme a neve ganhava intensidade. O excesso de gelo também atingiu casas e estruturas. Segundo ela, moradores do interior relatavam o barulho dos galhos de pinheiros quebrando sob o peso da neve. A família passou dias dentro de casa, perto do fogão a lenha, e usava água retirada pela janela para esquentar, já que o encanamento congelou.

Órgãos que monitoram o clima em Santa Catarina não possuem registros das temperaturas daquele período. O meteorologista Caio Guerra, da Defesa Civil catarinense, explica que a neve exige a combinação de frio, instabilidade e alta umidade, condição rara no Brasil porque o ar polar costuma ser seco. A região também consolidou o turismo de frio: segundo a Fecomércio, em 2025 a Serra catarinense registrou o maior gasto médio por grupo de visitantes da série histórica iniciada em 2017, com alta de R$ 2.824 para R$ 3.550.