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Nike se posiciona a favor de Colin Kaepernick, atleta que protestou na NFL contra o racismo

Jogador foi vítima de boicote após protestos (Foto: Reprodução/Twitter)

Do Meio&Mensagem

As ações da Nike perderam 3% de seu valor após a companhia anunciar uma campanha com o jogador de futebol americano Colin Kaepernick. O atleta é motivo de polêmica desde 2016, quando começou a realizar diversas formas de protesto contra a violência policial do país dirigida a jovens negros. Entre as manifestações, estão sentar no banco ou ajoelhar no gramado durante o hino nacional norte-americano, tocado antes do início das partidas da NFL, liga de futebol americano. O atleta não conseguiu firmar um novo contrato com algum time da liga após as polêmicas.

Uma peça divulgada no instagram de Colin e na conta oficial da Nike apresentam uma foto em preto e branco do atleta com a legenda: “Acredite em algo. Mesmo que isso signifique sacrificar tudo”. Logo após a divulgação da campanha, diversos consumidores apoiaram a ação. Ao mesmo tempo, outros usuários de redes sociais publicaram fotos danificando produtos da marca e propondo um boicote à companhia. Para os investidores, a voz descontente reverberou mais alto.

Em entrevista à agência Reuters, Jessica Ramirez, uma analista de varejo da Jane Hali & Associates, afirma que, possivelmente, a Nike deve perder mais consumidores pelo apoio ao atleta do que atrair jovens que buscam marcas que compartilhem de seus valores. Apesar da polêmica, a marca passa por um ano financeiro positivo, com cerca de 30% de valorização de suas ações em 2018.

“A Nike entrou numa discussão delicada para os americanos, que é a racial”, afirma Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM. Entretanto, “saíram feridos”, afirma. Martinho entende que essa campanha faz parte de um movimento da empresa de assumir lado em questões sociais conflituosas em suas estratégias de marketing. “Nessas manifestações de atletas, sobretudo manifestações sobre o racismo, o que vemos é as marcas entrando mais nas bolas divididas, sempre tem a conta de agradar uma parte e desagradar a outra”.

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