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Noites quentes e secas: o alerta para o ‘desastre térmico’ no Brasil e a nova onda de calor

Onda de calor atinge Rio de Janeiro e São Paulo — Foto: Julia Aguiar 

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alertou para a ocorrência de um “desastre térmico” no Brasil com a provável chegada do El Niño no segundo semestre de 2026. Segundo o climatologista José Marengo, há cerca de 80% de chance de formação do fenômeno, com impacto direto no aumento das temperaturas, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. A previsão é de calor intenso e prolongado a partir de setembro.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, o que altera padrões climáticos em diversas partes do mundo. No Brasil, o fenômeno costuma provocar redução de chuvas no Norte e aumento no Sul, além de ondas de calor mais frequentes e baixa umidade em áreas centrais. O Cemaden aponta que o calor será o efeito mais garantido, independentemente da intensidade do evento.

Dados recentes mostram aumento na frequência e duração das ondas de calor no país. Em 2024, foram registradas dez ondas, seguidas por oito em 2023 e sete em 2025. Além das altas temperaturas durante o dia, especialistas destacam a elevação das temperaturas mínimas à noite, o que dificulta a recuperação do organismo e amplia riscos à saúde, especialmente em períodos prolongados de calor.

O fenômeno também pode trazer impactos econômicos e ambientais, como aumento no consumo de energia, elevação no preço de alimentos e maior risco de incêndios florestais. No Sul, o excesso de chuvas pode provocar alagamentos e deslizamentos. Apesar das projeções, especialistas afirmam que ainda não é possível determinar a intensidade exata do El Niño nos próximos meses.