O alimento indígena que literalmente sobreviveu por mais de 500 anos

Duas batatas liofilizadas permaneceram conservadas por mais de 500 anos em um depósito inca no Peru. O alimento, conhecido como chuño, data de antes da invasão espanhola e integra um conjunto de vestígios encontrados na árida costa sul peruana.
O estudo que descreve o achado saiu em maio na revista científica Journal of Field Archaeology. Segundo os autores, os incas cultivavam centenas de variedades de batata no oeste da América do Sul, incluindo tipos amargos que exigiam processamento antes do consumo.
“Na época em que o Império Inca florescia no oeste da América do Sul, centenas de variedades de batatas eram cultivadas, algumas das quais amargas e que precisavam ser processadas para se tornarem comestíveis. A estratégia de processamento empregada era a liofilização, e o produto resultante era chamado de chuño”, descrevem os pesquisadores no artigo.
As batatas apareceram em 2024 no centro provincial inca de Tambo Viejo, distante dos 3.600 metros de altitude necessários para produzir chuños com geadas noturnas. O achado indica que os incas transportavam alimentos por antigas rotas de abastecimento; Lidio Valdez, um dos autores do estudo, afirmou: “Ainda temos muito a aprender com os povos do passado. A segurança alimentar é uma grande preocupação, mesmo em nossos dias; no entanto, desperdiçamos alimentos, talvez mais do que em qualquer outro momento da história da humanidade”.
