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O aplicativo de relacionamentos que conecta pessoas com deficiência

Andres Rodriguez e Ellen Froliklong – Foto: Nolis Anderson / The New York Times

O Dateability, aplicativo de relacionamentos voltado a pessoas com deficiência e condições médicas crônicas, praticamente dobrou sua base de usuários desde 2025 e chegou a 65 mil perfis neste mês, segundo a empresa. Criada em 2022 pelas irmãs Jacqueline e Alexa Child, a plataforma permite que usuários informem suas condições de saúde no perfil e também aceita adultos sem deficiência. Jacqueline, que convive com lúpus, artrite reumatoide e outras condições crônicas incapacitantes, teve a ideia após experiências negativas em aplicativos tradicionais. “A deficiência é muito mais comum do que as pessoas imaginam e varia enormemente”, afirmou. Segundo ela, conectar-se com pessoas em situação semelhante “dá às pessoas uma sensação de normalidade”. Com informações do Globo.

Entre os usuários estão Andres Rodriguez, que usa cadeira de rodas devido a uma doença degenerativa muscular, e Ellen Froliklong, de 33 anos, que está em tratamento após uma crise de saúde mental. Os dois deram match na véspera do Natal passado e conversaram até as 4h. “Ele disse que estava procurando algo verdadeiro e que era um livro aberto”, contou Froliklong. “Ele perguntou sobre meu histórico de saúde mental, e eu fui honesta, mesmo achando que isso pudesse afastá-lo.” Ela acrescentou: “—Também achei ele bonitinho.” Atualmente, Froliklong viaja de Cleveland a Chicago duas vezes por mês para encontrar Rodriguez. “O que me atraiu no Dateability foi saber, desde o início, que todo mundo ali tem alguma deficiência. Eles não vão te julgar”, disse.

Outros usuários relataram dificuldades em aplicativos convencionais. “Eu conversava com pessoas em outros aplicativos e, no momento em que mencionava qualquer problema de saúde, elas simplesmente desapareciam”, afirmou Jessica Stewart, de 29 anos, que conheceu sua parceira no Dateability e tem uma condição congênita rara que afeta os sistemas digestivo e reprodutivo. “Se eu estivesse ficando com alguém e ele começasse a levantar minha blusa, eu precisava parar e dizer: ‘Tenho que te dar uma aula de anatomia’”, contou. “Era exaustivo.” Collin LaFon, de 28 anos, que tem paralisia cerebral e usa cadeira de rodas, relatou experiência semelhante: “Sinto que, quando as mulheres veem alguém com problemas de saúde em um aplicativo de relacionamento, pensam algo como: ‘Nossa, um sinal de alerta, melhor ficar longe’”. Segundo ele, muitas procuram um homem “que possa ser o provedor e cuidar delas”. Lori Adams, de 31 anos, disse que a impossibilidade de ter filhos é vista “quase como uma falha moral”.

O Dateability oferece aplicativos para celular e uma versão para navegador acessível a pessoas com deficiência visual ou mobilidade manual reduzida. A plataforma já resultou em pelo menos um casamento: Collin LaFon conheceu Kaci LaFon, que tem um distúrbio hereditário do tecido conjuntivo, em maio de 2024. Eles ficaram noivos em novembro daquele ano e se casaram em setembro passado. O casal pretende ter uma casa própria, viajar e ter filhos por meio de barriga de substituição. “Talvez isso não aconteça da forma que as pessoas consideram normal nem dentro do prazo que elas esperam, mas conseguimos encontrar uma solução para qualquer coisa”, afirmou LaFon. Especialistas também apontam obstáculos financeiros aos relacionamentos: cerca de oito milhões de americanos com deficiência podem perder a elegibilidade para programas federais de assistência ou sofrer redução nos benefícios ao se casar ou morar com alguém. “Todos esses programas foram estruturados com base na premissa de que pessoas com deficiência não estariam em relacionamentos nem formariam famílias”, afirmou Robyn M. Powell, professora assistente de Direito da Universidade Stetson. “No fim das contas, a escolha é: ‘Você quer amor ou quer conseguir sair da cama?’. Pessoas com deficiência precisam escolher.”