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O bilionário anônimo da bolsa brasileira

É num escritório despretensioso na avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste de São Paulo, que trabalha um dos maiores investidores individuais da bolsa brasileira.

Dono de uma fortuna estimada em 1,5 bilhão de reais, Luiz Alves Paes de Barros, de 65 anos, não tem nem vaga na garagem do prédio: todos os dias, deixa seu carro num estacionamento a dois quarteirões de distância e vai a pé até o edifício.

Dificilmente seria reconhecido na rua. Alves não dá entrevistas, não faz palestras nem participa de eventos do mercado financeiro. Sua rotina é vasculhar a bolsa atrás de ações baratas e participar dos conselhos de administração das empresas em que investe. Tornou-se bilionário assim, aplicando na Bovespa, sem nunca ter tido patrão ou qualquer emprego “convencional”. Começou com 10 000 dólares.

Sua grande tacada foi o investimento nas ações do banco Real, antes da venda ao holandês ABN Amro em 1999. Durante quase 20 anos, Luiz Alves, como é mais conhecido, acumulou uma participação de cerca de 5% no capital do banco — e vendeu tudo quando o ABN decidiu fechar o capital da instituição.

Recebeu 100 milhões de dólares, cerca de 40 vezes mais do que havia gasto, depois de uma dura negociação com o ABN que levou os holandeses a pagar aos acionistas minoritários um valor por ação próximo ao que foi pago ao controlador do Real, o banqueiro Aloysio Faria.

Depois disso, continuou aplicando no Banco Alfa, instituição criada por Faria após a venda (hoje, tem 16% do banco). “Ele sempre diz que a ação do Alfa é uma nota de 100 reais que custou 50”, diz um amigo.

O mais impressionante foi o começo de Luiz Alves no mercado financeiro. Segundo contam pessoas próximas, seu capital inicial era de cerca de 10 000 dólares (algo como 80 000 dólares em valores corrigidos pela inflação).

Formado em economia pela Universidade de São Paulo e vindo de uma família de classe alta de São Paulo, Alves decidiu usar o dinheiro dado pelos parentes para aplicar em ações. Na época, havia pouquíssimos investidores individuais na Bovespa e, assim, ele se aproximou de alguns dos grandes nomes do mercado.

Quem o conhece diz que ele não gosta de chefes, muito menos de clientes. “Cliente é como patrão, reclama e cobra, não quero isso”, responde a quem sugere que abra uma gestora de recursos.

Também não costuma indicar ações a ninguém — dizem que ficou abalado quando uma tia perdeu dinheiro ao comprar, por recomendação sua, os papéis da americana Willys Overland, que fabricava veículos nos anos 70, antes de a companhia ser vendida à montadora Ford e ter seu capital fechado.

Hoje, suas aplicações estão reunidas num fundo, o Poland, que só aplica seu dinheiro. Desde 2003, quando foi criado, rendeu 1 000%, enquanto o Ibovespa subiu cerca de 300%.

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